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A fé pelos olhos de Jesus

  • Writer: Teshuvah Bible Studies
    Teshuvah Bible Studies
  • 21 hours ago
  • 6 min read

A porção dupla da Torá desta semana, BeHar–Bechukotai בְּהַר־בְּחֻקֹּתַי (No Monte Sinai-Nos Meus Estatutos), baseada em Levítico 25:1–27:34, nos ensina sobre o tipo de fé que agrada a Deus.


Em Lucas 18:8, Jesus pergunta: "Eu lhes digo que Ele lhes fará justiça rapidamente. Contudo, quando o Filho do Homem vier, encontrará fé na terra?"


Certamente, a maioria das pessoas consegue perceber que estamos vivendo nos últimos dias. Até mesmo o mundo secular reconhece isso—segundo o Relógio do Juízo Final, faltam apenas 89 segundos para a meia-noite (onde a meia-noite representa a autodestruição da humanidade). Esse conceito foi estabelecido em 1945 por Einstein e outros cientistas renomados após a criação e o uso da primeira arma atômica. Eles perceberam que a humanidade passou a ter o poder de se autodestruir, e que esse relógio representa o quão próximos estamos do fim: dois minutos em um dia de 1.440 minutos. Outra forma de expressar isso é que já percorremos 99,9986% do tempo, restando apenas 0,0014%.


Antes de responder à pergunta de Jesus, precisamos definir a palavra "fé". Infelizmente, no mundo atual, as palavras perderam seu significado e seu poder. As palavras existem para definir algo específico; quando se tornam amplas demais, perdem sua clareza e força. Por exemplo, a palavra "mulher" define uma categoria específica e exclui outras. Essa precisão é o que dá sentido à comunicação e à linguagem. Quando isso se perde, os termos se tornam ambíguos e deixam de comunicar algo significativo. Isso pode gerar consequências reais e prejudiciais, pois categorias deixam de ser claramente definidas.


O mesmo se aplica aos símbolos. O hebraico ajuda a definir palavras de forma mais concreta, pois é uma linguagem enraizada na realidade física e em conceitos tangíveis. As línguas modernas, fortemente influenciadas pelo pensamento helenístico, tendem a ser mais abstratas. O hebraico é concreto e baseado na realidade; o grego é abstrato e baseado em ideias e filosofia. Um bom exemplo é a palavra "lar". "Lar" é uma ideia, e cada pessoa a define de acordo com suas experiências. Já "casa" é um conceito concreto. Se você pedir a 100 pessoas para desenhar um "lar", terá respostas variadas; mas se pedir que desenhem uma "casa", a maioria representará algo semelhante: uma estrutura física com porta e janelas, ainda que com variações de tamanho, cor ou formato.


Então, o que é fé?


A palavra hebraica para fé é emunah אֱמוּנָה, derivada de amen אָמֵן, que significa "fiel" ou "fidelidade", e está diretamente ligada à ação. Não existe fé sem ação. Todo ato de fé em Deus é acompanhado por uma atitude prática que sustenta aquilo em que se crê—eveno a salvação reflete isso:


"Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação." (Romanos 10:9–10)


Crer com o coração é fé (que conduz à justificação), mas confessar com a boca é ação (que conduz à salvação). Se observarmos atentamente a linguagem bíblica, veremos que a fé nunca existe sem ação. Quando levaram o paralítico até Jesus pelo telhado, demonstraram fé em ação. E Jesus respondeu: "A sua fé te salvou." Fé acompanhada de ação.


Então, será que Jesus encontrará esse tipo de fé na terra? Eu creio que sim, pois até no mundo secular vemos exemplos disso. Quando entramos em um avião, exercitamos fé. Acreditamos que o avião não vai cair e que o piloto é capaz—e agimos com base nessa crença, confiando nossa vida a isso.


No entanto, precisamos continuar investigando para entender plenamente o que Jesus quis dizer. Hoje em dia, vemos muitas formas distorcidas de fé que não agradam a Deus. Há pessoas que demonstram grande dedicação às suas crenças, até mais do que muitos cristãos, mas isso por si só não define a fé que agrada a Deus.


Então, de que tipo de fé Jesus está falando?


Se lermos o contexto completo, veremos que essa pergunta vem após a parábola da viúva persistente e do juiz injusto—uma passagem sobre justiça. Portanto, a verdadeira fé está ligada à justiça. E, para praticar a justiça, precisamos entender o que ela realmente significa.


As Escrituras dizem: "O justo viverá pela fé" (Habacuque 2:4; Romanos 1:17; Hebreus 10:38).


Mas também dizem: "Não há nenhum justo, nem um sequer; não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos se desviaram… não há quem faça o bem, não há nem um sequer." (Romanos 3:10–12)


Então, como podemos ter a fé que Jesus procura? Como viver como justos, se isso parece impossível? No hebraico, existe uma distinção importante entre "justificado" e "justo." A palavra mutzedak (מוּצדָק) significa "justificado."


Podemos entender essa palavra através de suas letras e símbolos: Qof (santidade), Dalet (porta), Tsadi (justiça), Vav (homem) e Mem (águas ou preposição "de"). Isso aponta para a ideia de que a santidade abre a porta para a justiça por meio de um homem justo (o Messias). Somos justificados por Cristo e somente por Ele. Nossa própria justiça, ou qualquer tentativa de alcançar salvação por obras, é insuficiente diante do padrão de Deus.


"Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus." (2 Coríntios 5:21)


Da mesma forma, Romanos 5:18–19 ensina que, por um único ato de justiça, veio a justificação e a vida para todos. "Conseqüentemente, assim como uma só transgressão resultou na condenação de todos os homens, assim também um só ato de justiça resultou na justificação que traz vida a todos os homens. Logo, assim como por meio da desobediência de um só homem muitos foram feitos pecadores, assim também, por meio da obediência de um único homem muitos serão feitos justos."


Por outro lado, a palavra tzadik (צַדִיק), que significa "justo", apresenta uma ideia diferente:


Qof (santidade), Yod (mão/ação/obras), Dalet (porta) e Tsadi (justiça). Isso indica que a santidade, por meio de ações, abre o caminho para a justiça. Ou seja, nos tornamos justo atraves de obras.


"As obras de justiça são mais aceitáveis ao Senhor do que sacrifícios." (Provérbios 21:3)

"Aquele que pratica a justiça é justo." (1 João 3:7)

"Façam o que é reto e bom aos olhos do Senhor…" (Deuteronômio 6:18)


A diferença central é esta: somos justificados pela ação de outro (Jesus), mas nos tornamos justos por meio das nossas próprias ações.


Agora podemos compreender melhor a pergunta de Jesus. Ele quer saber se haverá fé na terra—uma fé fundamentada na justiça e em ações—quando Ele voltar.


Para sermos justos, precisamos conhecer a Palavra de Deus e agir como quem realmente acredita nela. Não baseados em raciocínio humano, cultura, tradições ou sistemas religiosos, mas em obediência e confiança. Você realmente confia no Senhor a ponto de obedecer, mesmo sem entender? Ama a Deus o suficiente para abrir mão da sua própria vontade?


A porção desta semana, Bechukotai, significa "nos meus estatutos." Esses estatutos são mandamentos que nem sempre fazem sentido do ponto de vista humano—como, por exemplo, as leis alimentares.


As pequenas coisas importam mais do que imaginamos. Jesus disse: "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos."
As pequenas coisas importam mais do que imaginamos. Jesus disse: "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos."

A pergunta permanece: confiamos em Deus o suficiente para obedecer, mesmo sem lógica aparente? Se Deus pedir algo sem explicação, você confiará nEle a ponto de agir? Esse é o tipo de fé que Jesus espera encontrar quando voltar. Meu desafio a você é desenvolver essa atitude ao estudar a Palavra. Peça ao Espírito Santo que o ajude a enxergar a verdade sem preconceitos religiosos ou influência de opiniões alheias, e com humildade para abrir mão até mesmo das suas próprias convicções.


Por experiência própria, posso dizer: sua vida será completamente transformada, e você se tornará uma pessoa justa que agrada ao Pai. Shalom veShavua Tov, amados.


Para aqueles que aceitarem esse desafio, aqui vai uma palavra de encorajamento do próprio Senhor Jesus:


"Portanto, quem desobedecer a um destes mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar outros a fazerem o mesmo, será chamado menor no Reino dos céus; mas quem os praticar e ensinar será chamado grande no Reino dos céus. Pois eu lhes digo que, se a justiça de vocês não exceder a dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus." (Mateus 5:19–20)


Isso NÃO é uma questão de salvação. Note que ambos fazem parte do Reino dos céus—porém um será chamado menor, e o outro, grande. Oro para que você escolha ser grande ao servir ao Deus vivo. Shalom.

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