top of page

Santidade — O que significa para o crente?

  • Writer: Teshuvah Bible Studies
    Teshuvah Bible Studies
  • 1 day ago
  • 5 min read

Updated: 5 hours ago

A porção da Torá desta semana, Emor אֱמוֹר (Fale) — baseada em Levítico 21–24 — oferece uma estrutura poderosa para compreender o que a santidade verdadeiramente é. Em hebraico, Kadosh קָדוֹשׁ (Santo) não pode ser traduzido simplesmente como "separado". Muitas palavras hebraicas exigem múltiplas palavras em outros idiomas para transmitir seu significado pleno. Uma definição adequada deve aplicar-se a cada instância em que a palavra é utilizada; se falhar sequer uma vez, será incompleta. Se Kadosh significasse apenas "separado", a definição seria insuficiente em versículos como este:


"Tu o santificarás, pois ele oferece o pão do teu Deus. Ele será santo para ti, pois eu, o SENHOR, que te santifico, sou santo." Levítico 21:8


Se "santo" aqui significasse apenas "separado", então o SENHOR estaria dizendo que Ele próprio é "separado", o que não faz sentido pleno. Quando dizemos que devemos ser "separados", geralmente queremos dizer "separados para Deus" — para servi-Lo ou representá-Lo. Mas não faria sentido dizer que Deus é "separado para Si mesmo". Isso demonstra que a definição não está errada, mas incompleta. Muitos estudiosos do hebraico e linguistas sugerem que Kadosh carrega diversas qualidades essenciais. Mais importante ainda: qualquer pessoa ou coisa que seja verdadeiramente "santa" deve refletir todas elas. Estas podem ser resumidas em quatro características:


1. Singularidade — Uma pessoa ou objeto sagrado deve ser único e insubstituível — não apenas em função, mas em identidade. Os objetos consagrados para uso no templo ilustram bem isso. A menorá, por exemplo, era única. Embora sua função (prover luz) pudesse ser replicada, o objeto em si não podia ser simplesmente substituído ou duplicado como um item comum.


A Menorá é uma imagem ideal da palavra "Santo" em hebraico. Podemos ser santos se possuirmos os atributos.
A Menorá é uma imagem ideal da palavra "Santo" em hebraico. Podemos ser santos se possuirmos os atributos.

2. Valor — Um objeto sagrado deve também ser valioso. A menorá serve, mais uma vez, como um exemplo apropriado. Feita de ouro puro e medindo vários metros de altura, ela seria extraordinariamente custosa pelos padrões atuais. Uma reconstrução moderna em Jerusalém, baseada em especificações semelhantes, teve seu valor estimado — considerando apenas as matérias-primas — em 53 milhões de dólares em 2019. Grande parte do Tabernáculo foi confeccionada a partir de metais e pedras preciosas, tudo dedicado ao SENHOR como uma morada em meio ao Seu povo. A menorá de ouro, portanto, oferece uma imagem vívida da santidade na tradição hebraica. Esses mesmos atributos podem aplicar-se também a nós, caso queiramos ser considerados santos — e, de fato, aplicam-se, visto que todo ser humano já é único e inestimável aos olhos de Deus. Os dois últimos atributos, contudo, são intencionais e exigem esforço de nossa parte.


3. Separado — Para ser santo, uma pessoa ou um objeto deve também ser separado. Uma vez consagrado, não pode ser utilizado para propósitos ordinários ou comuns. A menorá, por exemplo, não podia ser retirada do Templo e usada em uma celebração ou evento casual. Fazer isso violaria a sua santidade. Da mesma forma, quando somos separados para o SENHOR, não podemos participar de práticas impuras e, ainda assim, permanecer santos. Quando o fazemos, comprometemos essa santidade. Contudo, Deus, em Sua paciência e misericórdia, nos restaura por meio da expiação. Sem a Sua graça, ninguém poderia alcançar o Seu padrão perfeito. É por meio da graça e da obra consumada de Cristo que somos sustentados como o Seu povo santo. Ainda assim, somos chamados a viver separados do mundo, mediante esforço. Somos advertidos repetidamente nas Escrituras de que, se nos misturarmos com coisas impuras e profanarmos nossos corpos — o templo do Espírito —, precisaremos ser reconciliados. Uma vez reconciliados, somos instruídos a nos abster de fazê-lo novamente. Exatamente como Cristo instruiu a mulher surpreendida em adultério, após tê-la restaurada. Ele disse: "nem eu te condeno; vai e não peques mais" (ver em João 8:11).


4. Propósito — Finalmente, e talvez o mais importante, a santidade exige propósito. Uma pessoa ou objeto santo deve cumprir o propósito para o qual foi separado. Deus santificou o Seu povo com intencionalidade. Somos separados por uma razão: declarar a Sua existência e proclamar a Sua salvação. Desde o princípio, Deus escolheu um povo para representá-Lo e para conduzir outros até Ele. Este é um propósito que frequentemente negligenciamos; contudo, é essencial tanto para nos tornarmos santos quanto para permanecermos assim. As instruções finais de Jesus enfatizaram essa missão: ir por todo o mundo e proclamar a Sua mensagem (ver Mateus 28:19-20). O nosso propósito é claro: conhecê-Lo e representá-Lo na Terra:


"Pois é pela graça que vocês foram salvos, por meio da fé — e isso não vem de vocês mesmos, é dom de Deus — não por obras, para que ninguém possa se gloriar. Pois somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus para fazer boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que as praticássemos." Efésios 2:8-10


"Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação: isto é, que Deus estava reconciliando o mundo consigo mesmo em Cristo, não imputando às pessoas os seus pecados. E ele nos confiou a mensagem da reconciliação. Somos, portanto, embaixadores de Cristo, como se Deus estivesse fazendo o seu apelo por meio de nós. Nós lhes imploramos, em nome de Cristo: Reconciliem-se com Deus. Deus fez daquele que não tinha pecado, pecado por nós, para que, nele, nos tornássemos a justiça de Deus." 2 Coríntios 5:18-21


Não posso fazer justiça a este tema sem recordar a primeira vez em que a palavra foi utilizada. Para os estudiosos judeus, a primeira vez que uma palavra é empregada nas Escrituras constitui a sua definição primordial. Acontece que a primeira coisa que Adonai consagrou como santo foi o Sábado:


"Então Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra da criação que havia realizado." Gênesis 2:3


O Sábado encarna perfeitamente todos os quatro atributos. É único, sendo o único dia em que não devemos trabalhar em atividades comuns (ver Êxodo 20:8-11). É valioso para o Criador como um sinal do Seu povo (ver Ezequiel 20:12) e um lembrete de quem é o SENHOR sobre a criação e de quem nos libertou do Egito (ou do mundo pecaminoso que este representa). É separado como um dia em que nos reunimos e buscamos o nosso Criador (ver Levítico 23). Seu propósito é que descansemos e sejamos restaurados da agitação do restante da semana (ver Hebreus 4:9-10). Um dia que consagramos para nos encontrar com o nosso Pai e permitir que Ele — por meio de Sua Palavra, de Seu povo e de Seu Espírito — restaure a nossa plenitude, para que possamos sair ao mundo e representá-Lo com dignidade.


O desafio desta semana é que você ponha o Senhor à prova e veja que a Sua Palavra é pura, perfeita e não deve ser contestada. Ele estabeleceu essa verdade desde o princípio. Ela antecede a lei dada a Moisés, mas é ali novamente enfatizada, com um lembrete para que "não nos esqueçamos" de quão importante este dia é para Ele. Garanto a você que será abençoado e que, assim como eu, passará a desfrutar dessa mudança em sua vida.


Amo todos vocês. Shalom e Shavuah Tov.

Comments


bottom of page