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Tão simples que é complicado

  • Writer: Teshuvah Bible Studies
    Teshuvah Bible Studies
  • Apr 20
  • 6 min read

A Porção da Torá desta semana — Acharei Mot-Kedoshim אַחֲרֵי מוֹת־קְדשִׁים (Após a Morte–Santo), baseada em Levítico 16:1–20:27 — trata do dia mais sagrado do calendário judaico e explica, detalhadamente, a definição de santidade. Ao ler a lição desta semana e os capítulos designados, comecei a compreender a verdadeira complexidade da realidade espiritual da salvação. Fiquei maravilhado diante do que a Lei exige para expiar as nossas iniquidades e pecados. Muitas pessoas subestimam a santidade do nosso Criador e deixam de reconhecer que Ele não age fora dos limites de Sua própria Lei; fazê-lo comprometeria a Sua própria natureza, santa e justa.


Nosso Deus atua em perfeito alinhamento com as leis que Ele estabeleceu desde o princípio da criação. Este é um conceito difícil de compreender plenamente, contudo, encerra uma profunda lógica interna. Quando pensamos em “Deus”, frequentemente imaginamos um ser sem limites — alguém que não pode ser questionado nem julgado. Em certo sentido, isso é verdade. No entanto, se tal ser carecesse de consistência moral ou de consciência, ou se fosse mau, então Ele poderia agir arbitrariamente — destruindo e recriando sem propósito ou remorso. Mas esse não é o Deus que estamos descrevendo.


Um Deus onisciente e eterno não está limitado pelo tempo e vê todas as possibilidades. Assim como na ilustração do Dr. Estranho no filme Vingadores: Guerra Infinita — que previu milhões de desfechos possíveis e identificou o único caminho para a vitória —, podemos imaginar que Deus percebe todas as realidades potenciais. A partir desse conhecimento infinito, Ele trouxe à existência uma criação que possibilita o melhor desfecho possível: aquele em que o livre-arbítrio, o amor e um relacionamento genuíno podem existir. Conclui-se, portanto, que este mundo — por mais complexo que seja — representa as condições exatas necessárias para que os seres escolham livremente amar, adorar e coexistir com Ele. Deus poderia ter criado seres que O servissem sem escolha, mas isso contradiria a Sua própria natureza, que é o amor. O amor, por definição, deve ser uma escolha.


Deus removeu a complexidade da equação da salvação para que possamos fazer uma escolha simples.
Deus removeu a complexidade da equação da salvação para que possamos fazer uma escolha simples.

Nesse contexto, Deus submeteu-se à própria estrutura que criou. Como um ser santo, Ele deve permanecer coerente com as Suas próprias leis. Se as violasse, deixaria de ser justo e contradiria a Sua própria natureza. Nesse sentido, Ele ingressou voluntariamente em Sua criação e atuou dentro de suas regras — não por limitação, mas como uma expressão de Sua integridade e amor.


"Cristo Jesus: Aquele que, sendo por natureza Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a ser usado em seu próprio benefício; pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo, assumindo a própria natureza de servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em aparência como homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte — e morte de cruz!" Filipenses 2:6-8


Visto que Deus é justo, a transgressão não pode ser simplesmente ignorada. Relevar o pecado sem consequências minaria a justiça e abriria as portas para acusações legítimas. Portanto, a fim de preservar tanto a justiça quanto a misericórdia, Deus realizou o sacrifício supremo. Ele tomou sobre Si as consequências do pecado, cumprindo as exigências de Sua própria lei, e ofereceu a redenção como uma escolha à Sua criação. Nisso, não vemos uma limitação de Deus, mas a plenitude de Seu caráter — justiça perfeita, amor perfeito e fidelidade perfeita atuando em conjunto de modo a convidar a humanidade a entrar em um relacionamento com Ele, por escolha própria.


Além disso, devemos compreender que, se Deus violasse a Sua própria lei, Ele deixaria de ser justo. Ele contradiria a Sua própria palavra e minaria o próprio fundamento da Sua justiça. Nesse sentido, Deus submeteu-Se voluntariamente ao padrão que Ele mesmo estabeleceu. As Escrituras também sugerem que existem outros seres — tanto benevolentes quanto malévolos — que observam o desenrolar da criação. Dentro dessa realidade, as ações de Deus não estão ocultas; elas são vistas e, em certo sentido, avaliadas. Se Ele ignorasse o pecado ou desconsiderasse as suas consequências, expor-Se-ia a justas acusações, parecendo inconsistente ou injusto. Isso ajuda a explicar por que o juízo não pode ser simplesmente deixado de lado. A justiça exige que o erro seja devidamente tratado. Sob essa perspectiva, até mesmo as acusações provenientes do mal estão enraizadas em uma exigência de consistência — embora a sua intenção seja corrupta, o padrão ao qual recorrem ainda reflete a necessidade da justiça. Portanto, para permanecer plenamente justo ao mesmo tempo em que estende a misericórdia, Deus não ignorou as consequências do pecado. Em vez disso, Ele satisfez as exigências da Sua própria lei por meio do auto sacrifício. Ao tomar sobre Si a penalidade, Ele manteve a justiça, ao passo que tornou a redenção disponível. Dessa forma, a salvação não constitui a anulação da lei, mas o seu cumprimento — oferecido como uma escolha àqueles que Ele ama. Leia estes versículos novamente com uma compreensão renovada:


"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para salvar o mundo por meio dele. Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não creu no nome do Filho unigênito de Deus." João 3:16-18


Deus realizou tudo o que era necessário para cumprir a Sua lei e expiar os nossos pecados. O que resta é que nós recebamos essa expiação. Jesus não veio ao mundo para condenar a humanidade; nós já estávamos sob condenação, nascidos no pecado, tendo a morte como sua consequência. Em vez disso, Ele veio para prover uma saída — para satisfazer as exigências da lei, carregando Ele mesmo a sua penalidade, para que tivéssemos a oportunidade de viver em um relacionamento restaurado com Ele. Essa realidade é poderosamente ilustrada nesta Porção da Torá pelo papel dos dois bodes. Um é sacrificado como oferta pelo pecado, servindo a sua morte como expiação — tomando o lugar do povo. O outro, frequentemente referido como o bode expiatório, tem os pecados do povo simbolicamente colocados sobre si e é enviado para o deserto, associado a Azazel. Essa simbologia é misteriosa, contudo revela a profundidade e a complexidade do que está ocorrendo no reino espiritual. O bode expiatório representa a remoção do pecado — a sua separação do povo e a sua liberação para fora do acampamento. Nessa perspectiva, ele aponta para a ideia de que o fardo do pecado é levado embora, não sendo mais imputado àqueles que foram expiados. Por meio do sacrifício de Cristo, todo o peso do pecado é tratado — tanto a sua penalidade quanto a sua reivindicação. Como resultado, a base para a acusação é removida, e aqueles que recebem essa expiação não estão mais presos à condenação que outrora se levantava contra eles. Permita-me, por favor, tornar essas conexões mais claras:


Um bode devia sofrer, sangrar e morrer pela expiação no templo — expiação essa cumprida por Jesus como o Cordeiro da Páscoa, que morreu naquela semana como a nossa expiação (veja 1 João 2:2). O outro bode devia ser levado para o deserto, depois que todos os pecados fossem colocados sobre ele; e Jesus também cumpriu isso ao ser levado para fora dos limites da cidade (para o deserto) e lá crucificado, depois que todos os nossos pecados foram postos sobre a Sua carne (veja 1 Pedro 2:24 e 2 Coríntios 5:21).


Como sempre, quero encerrar este comentário com um chamado à ação — um desafio ao leitor. O propósito de aprender e compreender essas verdades não é simplesmente adquirir conhecimento, mas permitir que essa compreensão produza uma mudança real em nossas vidas. À medida que nos aprofundamos no reino espiritual, começamos a perceber a sua complexidade. E, se formos honestos conosco mesmos, percebemos que, quanto mais respostas obtemos, mais mistérios parecem se desdobrar diante de nós. Contudo, em meio a essa complexidade, Deus realizou algo notável: Ele cumpriu todas as exigências da lei e nos conduziu a uma decisão simples e pessoal.


Nós cremos Nele?

Nós confiamos Nele?

Chegamos a um ponto em que verdadeiramente cremos em Seu Filho — Sua obra, Seu sacrifício e a profundidade de Sua santidade — o suficiente para entregar nossas vidas a Ele?

Eu já creio. Entreguei minha vida a Ele décadas atrás e, após anos de estudo, busca e experiência de Sua presença, minha convicção apenas se aprofundou. Mesmo agora, vejo-me ecoando a declaração encontrada no livro do Apocalipse: “Santo, santo, santo é o Senhor Deus Todo-Poderoso... digno é o Cordeiro que foi imolado, de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor, para todo o sempre.”

Não permita que a complexidade da vida e os mistérios desta realidade o impeçam de tomar a decisão mais simples e importante que você jamais enfrentará. Entregue sua vida a Cristo hoje e experimente a bondade d'Ele por si mesmo. Amo a todos vocês. Shalom Ve'Shavuah Tov!

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